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O novo médico e a gestão de plantões: formação, tecnologia e mercado

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Conteúdo produzido a partir do debate realizado na Mesa 2 do evento da ANSM na Feira Hospitalar 2026, com moderação de Paulo Menegueli Junior e participação dos debatedores Dr. João H. Cunha Villela e Dra. Priscilla Bandeira Frota.

O Brasil vive uma transformação profunda na demografia médica. Em 2025, o país contabiliza 635.706 médicos em atividade, um crescimento cinco vezes superior ao da população nos últimos anos. Se as projeções se confirmarem, chegaremos a 2035 com 1,15 milhão de médicos, dobrando a densidade médica para 5,25 profissionais por mil habitantes e superando a maioria dos países desenvolvidos.

Esse crescimento, no entanto, não acontece de forma equilibrada. E é justamente aí que residem os maiores desafios para o setor.

Uma expansão sem precedentes e seus paradoxos

O número de escolas médicas no Brasil saltou de aproximadamente 150 em 2006 para 494 em 2025, um crescimento de mais de 300% em duas décadas. São 50.974 vagas anuais de graduação, segundo dados do sistema e-MEC e pesquisa da FMUSP. Mais médicos sendo formados a cada ano do que o sistema consegue absorver com qualidade e planejamento.

O reflexo aparece na residência médica. Das 75.471 vagas autorizadas pelo CNRM em todos os anos de residência (R1, R2 e subsequentes), cerca de 28% permanecem ociosas. Só nas vagas de primeiro ano (R1), são 16.189 postos disponíveis para acesso direto, número muito inferior aos 32.000 médicos formados anualmente, o que significa que quase metade dos recém-formados não consegue ingressar imediatamente na especialização. As especialidades com maior número de vagas não preenchidas revelam um padrão preocupante: Medicina de Família e Comunidade (2.942 vagas ociosas), Medicina Intensiva (1.199), Cirurgia Cardiovascular (340), Radioterapia (227) e Medicina Nuclear (103), evidenciando a concentração de interesse em especialidades específicas, provavelmente motivada por ganhos imediatos.

O abismo da distribuição

Mais médicos não significa melhor distribuição. A concentração urbana é um dos principais gargalos do sistema: nas capitais, a razão é de 6,21 médicos por mil habitantes, enquanto no interior esse número cai para 1,72. O Distrito Federal lidera com 6,28, enquanto o Maranhão registra apenas 0,89, uma diferença de quase dez vezes entre o estado com maior e menor densidade médica do país.

A concentração de especialistas é ainda mais grave. 60% dos especialistas brasileiros estão reunidos em apenas 39 municípios. Do outro lado, 3.200 municípios não possuem nenhum médico especialista residente. Quanto menor a cidade, menor o acesso: municípios com menos de 20 mil habitantes têm uma razão de apenas 0,18 especialistas por mil habitantes, contra 4,72 nos municípios com mais de 500 mil.

Como sintetizaram os debatedores da mesa: “A formação médica se expandiu, mas a fixação do especialista continua sendo o maior desafio do sistema.”

Tecnologia e gestão de plantões: o papel das empresas associadas

Nesse contexto, as empresas de gestão de serviços médicos ocupam um papel cada vez mais estratégico. A gestão de plantões deixou de ser uma questão meramente operacional e passou a envolver tecnologia, inteligência de dados, formação continuada e capacidade de atração e retenção de profissionais em regiões com menor oferta.

A adoção de plataformas digitais para alocação de médicos, o desenvolvimento de contratos mais competitivos e a criação de ambientes de trabalho que valorizem o profissional são caminhos que as empresas associadas à ANSM já percorrem e que precisam ser ampliados diante do novo cenário demográfico.


A visão da ANSM

Os dados apresentados nesta mesa reforçam o que a ANSM defende desde sua fundação: o crescimento quantitativo da medicina no Brasil precisa ser acompanhado de políticas sérias de distribuição, qualificação e valorização profissional.

Não basta formar mais médicos se eles se concentram nas mesmas regiões, nas mesmas especialidades e nas mesmas condições de sempre. O setor de gestão de serviços médicos tem responsabilidade direta nessa equação, e é por isso que a ANSM atua junto a órgãos públicos, instituições de ensino e entidades do setor para influenciar políticas que promovam um sistema de saúde mais equilibrado, eficiente e justo para médicos e pacientes.

Debates como este são parte essencial desse trabalho. Seguiremos promovendo espaços de troca, produzindo conteúdo qualificado e representando os interesses do setor onde as decisões são tomadas.

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